A Educação Bilí­ngue e os alunos do século XXI

A Educação Bilí­ngue e os alunos do século XXI

Formar o cidadão do século XXI. Esta é, sem dúvida, uma necessidade real e as escolas já estão se reorganizando para cumprir com este objetivo. Os avanços da tecnologia, em especial no que tange à comunicação, causaram um impacto significativo na forma com que nos relacionamos com o conhecimento e, por consequência, não é possível ignorar a necessidade de repensarmos também a escola que queremos. Os alunos de hoje nasceram e cresceram em ambiente digital. As coisas mudaram um bocado nos últimos 20 anos. As crianças não são as mesmas de 20 anos atrás. De que forma a educação pode se transformar para manter a sua conexão com a realidade atual?

Esta nova geração de alunos impõe desafios a escolas e professores à medida em que demonstra ter certas características que até e então não eram consideradas comuns, como, por exemplo, a preferência por recursos visuais ao invés de textuais e, quando textuais, que os textos sejam compostos por trechos curtos ao invés de longos parágrafos. Os chamados nativos digitais são capazes de realizar múltiplas tarefas simultaneamente e preferem as aulas em que eles participem ativamente. Eles gostam de expressar suas opiniões mas não têm facilidade em aceitar críticas. Gostam de recompensas e feedbacks rápidos (e não só nas redes sociais).

Se você só viu na descrição acima pontos positivos parabéns, você é capaz de reconhecer as diferenças entre esta nova geração e muito provavelmente a sua, anterior a esta, que era bem diferente. Você não precisa abandonar a sua admiração pelas enciclopédias nem tampouco esquecer do prazer que sentia ao folhear as páginas de um livro e fazer anotações enquanto o lia. Você só precisa entender que os alunos de hoje não são como você foi quando era aluno.

Para que a escola esteja preparada para lidar com os alunos do século XXI é importante, primeiramente, que ela esteja aberta a repensar algumas de suas práticas. Nesta reorganização, três aspectos merecem ser destacados: o currículo flexível, o ensino em diferentes idiomas e a participação ativa dos alunos nas aulas. Em relação ao primeiro, o currículo deve permitir aos professores e alunos uma abordagem dos temas de estudo de forma interdisciplinar e integrada, tendo como norteadores as chamadas competências alvo a serem desenvolvidas neste cidadão do século XXI e que podem ser descritas como: criatividade, pensamento crítico, comunicação e colaboração. Se quiser se aprofundar neste tema sugiro a leitura de http://www.p21.org.

Neste cenário, pensar o ensino de idiomas também já não é mais possível como antigamente. O inglês deixa de ser apenas uma disciplina curricular e assume o papel de instrumento para a aprendizagem. Aprende-se em Inglês, interagindo com o conhecimento por meio desta língua. As aulas de inglês sedem espaço para aulas em inglês e propostas de educação bilíngue.

Quanto ao terceiro aspecto, ao aluno não cabe mais apenas responder às perguntas mas sim ser capaz de formulá-las. Se desejamos que este aluno esteja apto para enfrentar com sucesso os desafios futuros de um mercado de trabalho e uma sociedade em constantes transformações é preciso atribuir a ele um papel ativo em todo o processo, instigando-o a buscar soluções, a contar com a colaboração de seus pares e suas diferentes habilidades e inteligências, a construir em conjunto as hipóteses, testá-las, errar e recomeçar se for o caso.

Os alunos desta geração digital têm uma capacidade incrível de processar informações e dar atenção a dezenas de tarefas de forma simultânea. Cabe às escolas e aos professores dar lugar a aulas mais participativas, nas quais o aluno seja ouvido e haja interação entre ambos, de maneira que ele se sinta uma peça fundamental no processo de aprendizagem e perceba que ele é capaz de produzir conhecimento. Cabe pensar que tudo isso pode e deve ocorrer também em uma segunda língua.

O ensino bilíngue é, portanto, mais que uma tendência. É imperativo que as escolas proporcionem aos alunos uma experiência escolar de imersão em um segundo idioma de forma integrada aos seus estudos e descobertas, com temas conectados às grandes áreas do conhecimento e à sua realidade. Esta é a escola que irá preparar de fato os alunos do século XXI para o século XXI. 

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