Aprender a usar a língua e usar a lí­ngua para aprender

Aprender a usar a língua e usar a lí­ngua para aprender

Um comercial de televisão famoso nos anos 80 perguntava: “Tostines vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais?”. Este era, na época, um enigma que intrigava e dividia opiniões. Ele trazia duas opções e parece que era necessário optarmos por uma ou outra resposta e isso rendia longas horas de conversa com hipóteses e argumentos bem variados.

Recentemente, no entanto, e em especial no campo da educação, podemos observar uma superação dos impasses causados pelo “ou” e uma preferência por soluções do tipo “e”, ou seja, por abordagens de ensino de idiomas que contemplem o aprendizado de uma segunda língua e o aprendizado que ocorre dentro do ambiente escolar, uma abordagem integrada de conteúdo e língua: o CLIL (Content and Language Integrated Learning), que está diretamente associado à concepção de Educação Bilíngue. Percebam que não temos mais dilemas do tipo “ou”. Na Educação bilíngue o aluno irá aprender a usar o inglês para se comunicar e também usará este novo idioma para aprender os conteúdos que fazem parte da escola regular, de forma integrada.

A ideia base da abordagem CLIL de integração de conteúdo e língua permite que os alunos aprendam em um ambiente onde a língua é vista como um meio e não como um fim em si mesmo. Isso resulta em uma maior motivação dos alunos para se comunicarem em inglês, sem aquele “medo de falar inglês”, uma vez nesta abordagem há um apoio maior aos alunos para a produção/expressão em língua estrangeira e uma “maior tolerância” no uso da língua, inclusive considerando os recursos eventuais à língua materna (“code-switching strategies”) como parte do processo de aprendizagem.

Aprendizados não significativos não permanecem, não agregam, não contribuem para o desenvolvimento nem para a vida do aluno. Por termos consciência disso é que valorizamos a integração de conteúdos em uma proposta interdisciplinar de Educação Bilíngue, partindo de temas de estudo que já foram iniciados em português para que sobre eles o aluno possa fazer novas conexões, ampliando e reconfigurando ideias já existentes em sua estrutura mental e consolidando o conhecimento. A concepção de ensino e aprendizagem de David Paul Ausubel (pesquisador norte-americano, 1918-2008) soma-se à abordagem CLIL para compor a base teórica sobre a qual apoiamos as atividades bilíngues que fazem parte do material didático interdisciplinar bilíngue da YouZ.

Por fim, não podemos deixar de mencionar as contribuições da neurociência a respeito dos processos de aprendizagem. Estudos do cérebro humano mostraram que aprendemos algo mais fácil se este novo conhecimento mexer com as nossas emoções. Isso significa que as aulas e atividades lúdicas abrem as portas para as áreas do cérebro que irão receber as novas informações. E, se adicionarmos o fator motivação, é como se colocássemos nessas portas aqueles sensores de presença que fazem com que elas se abram automaticamente quando algo se aproxima. O cérebro é flexível e se modifica quando aprendemos algo novo. Esta capacidade, nos cérebros bilíngues, é potencializada e seus benefícios podem ser percebidos nas funções cognitivas, na memória, na solução de problemas e na concentração.

Você pode não ter descoberto ainda o segredo de Tostines, mas agora você já sabe que na Educação Bilíngue não há mistérios: há muitos fundamentos teóricos, pesquisas e estudos científicos embasando o trabalho.

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