Como lidar com as expectativas dos pais em relação à Educação Bilíngue?

Como lidar com as expectativas dos pais em relação à Educação Bilíngue?

Oferecer o ensino bilíngue é, sem dúvida, uma decisão que irá impactar significativamente na formação dos alunos, contribuindo para o seu desenvolvimento pessoal e profissional além de prepara-los para as demandas de uma sociedade moderna extremamente conectada, digital e global. Os benefícios do ensino bilíngue podem ser percebidos tanto no desenvolvimento cognitivo e cerebral quanto no campo do social. Cientes destas informações as escolas se estruturam e se reorganizam para comtemplarem em seus projetos pedagógicos programas de educação bilíngue. Ao tomarem esta decisão elas estão certas de que fizeram a melhor escolha para os seus alunos. Os pais percebem o valor deste diferencial e os alunos, por sua vez, têm a oportunidade de aprender uma segunda língua de forma integrada aos seus estudos e conteúdos curriculares, sendo significativo para eles.

O ensino bilíngue se diferencia do ensino tradicional de língua inglesa porque ele concilia duas áreas e dois objetivos: o desenvolvimento acadêmico do aluno, através do conhecimento e dos conteúdos curriculares e a habilidade de se comunicar em inglês. Assim, por vezes pode ser difícil lidar com as expectativas dos pais quando eles tomam como parâmetro de comparação os cursos de idioma. É comum os pais perguntarem, por exemplo, sobre mudanças de nível. Esta é uma prática característica das escolas de inglês e muitas vezes o aluno passa de turma ou livro (e isso não tem necessariamente a ver com o nível) ao final do semestre, o que em termos de ano escolar não se aplica.

Da mesma forma é preciso entender como o inglês está sendo aprendido pelos alunos. Em uma proposta de educação bilíngue, em geral, o ponto de partida não é a gramática e isso significa que os alunos não terão como primeira aula o tão famoso verbo To be seguido das infindáveis listas de exercícios solicitando que completem com am, is ou are. É certo que eles falarão sobre si mesmos, sobre seus amigos e sua família, por exemplo, e para isso usarão sentenças com este verbo. A diferença é que não necessariamente eles saibam que isso que eles usam de forma tão natural é o tal verbo To be.  

É importante que os pais percebam que a educação bilíngue está inserida na vida escolar do aluno, diariamente, e que esta oportunidade é única e especial pois da forma como ela acontece o aluno tece uma relação positiva com a língua, sem traumas ou medo. Durante as atividades bilíngues o aluno é incentivado a usar o novo idioma para resolver os desafios propostos, interagir com o professor e com os colegas. As aulas, dinâmicas, lúdicas e com base nos mesmos temas de estudo que estão sendo trabalhados em português favorecem a participação dos alunos. Esta integração é a chave para que o ensino bilíngue ocorra de forma harmônica e o inglês marque presença nos trabalhos dos alunos expostos nas paredes, nos eventos da escola, nos recados da agenda, nas manifestações espontâneas dos alunos e até nas músicas cantaroladas no caminho de volta pra casa.

Quando a educação bilíngue entra na essência da escola os pais percebem e entendem o trabalho que está sendo feito. As perguntas dos pais aos filhos já não são mais do tipo “como se diz ... em inglês?” e passam a ser “o que você está aprendendo em Science?”. A mudança do tipo de pergunta reflete diretamente na autonomia e na confiança do aluno. Pode ser que ele não saiba um determinado vocabulário em inglês e isso não significa que ele não saiba inglês. A segunda pergunta, a respeito do que ele está estudando, permite que ele demonstre seu conhecimento e, portanto, sinta-se valorizado. A segunda pergunta, ao contrário da primeira, dá abertura a uma conversa, ao diálogo e os pais, tão ansiosos em participar da educação dos filhos, podem contribuir acrescentando informações, pontos de vista e trocando experiências sobre o tema.

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